Pokémon GO: 10 anos de aventura com o pai
Comecei a jogar com 3 anos, junto com a minha mana. A mana saiu, meu pai ficou — e dez anos depois ainda estamos em campo, indo a pé, de bicicleta ou de carro até o ginásio mais próximo e jogando do nosso jeito, no ritmo da vida real.
por Fernando Fasolo Jr.

Eu tinha 3 anos quando o Pokémon GO saiu. Comecei a jogar junto com a minha mana — ela que me puxou pra esse mundo. A gente saía junto, celular na mão, caçando Pokémon pelo bairro como se fosse a coisa mais séria do mundo.
A mana foi ficando pelo caminho. Eu fiquei. E o meu pai, que tinha entrado no jogo logo no começo, continuou do meu lado.
Esse foi o começo da nossa dupla.
Dez anos no campo
Não me lembro de uma época sem Pokémon GO na minha vida. O jogo faz parte da minha memória de infância, adolescência e agora. São dez anos de atualizações, eventos, frustações e momentos que não têm preço.
Sou jogador canela — assim como meu pai. A gente joga no ritmo da vida, sem neura de otimizar cada Pokémon ou zerar cada evento. Tem dias que não abrimos o app. Tem semanas que jogamos todo dia. O importante é que, quando a gente joga, é junto.
Isso fez diferença.
Crescer jogando com o pai
A maioria dos pais e filhos divide hobby por um período e depois cada um segue seu caminho. Com o Pokémon GO não foi assim.
Claro que mudou a dinâmica. Com 3 anos, eu era carregado no colo até os PokéStops. Hoje, com quase 12, a rotina mudou bastante — não jogamos todo dia, e tem muita coisa no jogo que simplesmente não conseguimos acompanhar. O cruzamento de atividades complica bastante: escola, compromissos, a vida que foi crescendo junto comigo. A interatividade com tudo que o jogo envolve fica cada vez mais difícil de manter no ritmo que ele exige.
Mas a gente não desistiu. Ainda fazemos algumas dinâmicas juntos, ainda aproveitamos o que dá — e apesar das muitas mudanças, tanto na vida quanto na gameplay, o jogo ainda nos conecta de um jeito que poucos hobbies conseguem.
E, no fim, o que mais importa pra gente é o nosso jeito de jogar — no ritmo da vida real.
Dois jeitos de jogar
Pokémon GO tem dois jeitos bem diferentes de jogar. De um lado, quem usa GPS falso — os chamados Fly — que aparecem em qualquer ginásio do mundo sem sair do sofá e capturam lendários de raids em continentes diferentes. Do outro, jogadores como a gente: que vão a pé, de bicicleta ou de carro até o ginásio mais próximo e torcem para ter gente suficiente para fechar a raid.
Por um tempo isso me incomodava. Hoje penso diferente: cada um escolhe como quer jogar, e tá tudo bem. Eu gosto do meu lado — andar, explorar, aparecer no mundo real, que é pra isso que o jogo foi feito. Mas se alguém prefere jogar de casa, no fundo não muda muito a nossa jogatina: a raid que a gente quer, a gente fecha do mesmo jeito.
O que vale pra mim é o meu jeito de jogar. As raids combinadas no WhatsApp do grupo local, os eventos presenciais do GO Fest, as pessoas que a gente encontra por acaso num PokéStop e que viram parceiros. Esse lado é o que faz o jogo valer a pena — e é por ele que a gente continua, sem precisar implicar com quem joga diferente.
A Kyogre Primal e o momento do ano
Este ano foi especial. A Niantic trouxe de volta os raids Primais — Primal Kyogre e Primal Groudon, as versões mais poderosas dos lendários clássicos.
Eu tinha uma missão pessoal: capturar a Kyogre Primal. Azul, majestosa, devastadora — ela é o Pokémon mais bonito do jogo na minha opinião.
Organizamos a raid com um grupo pequeno. Eu, meu pai, e mais alguns conhecidos. A batalha foi intensa — timer chegando ao fim, Pokémons caindo, reconstruindo estratégia no meio do caminho.
A Poké Ball vermelha pulsou uma vez. Duas. Três.
Gotcha.
Eu gritei. Literalmente. Meu pai ficou feliz por mim e foi atrás do Groudon Primal dele.
Dez anos de jogo, e uma captura ainda faz esse efeito.
O que o Pokémon GO me ensinou
Além de decorar movimentos e IVs, o jogo me ensinou coisas que ficam:
Explorar a cidade com atenção. Cada PokéStop existe numa localização real. Aprendi sobre monumentos, murais, igrejas e pontos históricos na minha cidade por causa de um app de celular.
Paciência. Um Pokémon raro não aparece toda vez. Uma raid não fecha toda vez. Às vezes você tenta cinco vezes e não captura. Você volta na semana seguinte.
Que algumas coisas valem mais quando compartilhadas. Capturar um lendário sozinho é bom. Capturar ao lado do seu pai, após uma raid que quase falhou, é uma história que você conta por anos.
Próximos 10 anos
O jogo vai continuar mudando. Novas gerações de Pokémon, novos eventos, novas frustrações com servidor caindo em horário de pico.
A gente vai continuar jogando — devagar e sempre, como a gente gosta.
Com quase 12 anos hoje, não sei o que vem pela frente. Mas sei que, quando o próximo lendário épico aparecer nas raids, eu vou chamar o meu pai primeiro.
“Pai, você viu? Vamos fazer a raid?”
Dez anos de prática e essa frase ainda funciona.