[FASOLO]
Games09 de agosto de 2026

Abrimos as nossas Pokédex

Dez anos de Pokémon GO e nunca tínhamos parado para olhar o buraco: quanto falta, de verdade, para fechar as 1025 fichas da Pokédex Nacional. Resolvemos abrir tudo — e montar um jeito de acompanhar isso mês a mês.

por Fernando Fasolo


Faz três dias que eu completei dez anos de Pokémon GO. Comecei em 6 de agosto de 2016, poucos dias depois de o jogo chegar ao Brasil. O Fasolinho entrou nove dias depois de mim — ele fecha a década na semana que vem.

Uma data redonda dessas puxa uma pergunta que a gente vinha evitando: quanto falta mesmo para completar a Pokédex?

Dez anos jogando com ele, e a resposta sempre foi um chute. “Ah, deve faltar bastante.” O jogo mostra o seu progresso, mas mostra do jeito dele — a Pokédex do GO só conta o que já existe no GO, e some com o resto. É um número confortável. Também é um número que esconde o tamanho real do caminho.

Então resolvemos abrir tudo.

O que decidimos medir

Escolhemos a Pokédex Nacional inteira: 1025 fichas, do #001 Bulbasaur ao #1025 Pecharunt. Todas as nove gerações, de Kanto a Paldea.

É a medida mais dura das disponíveis, e sabíamos disso na hora de escolher. Uma parte considerável desses 1025 nem chegou ao Pokémon GO ainda — não é uma falha nossa, é a Niantic liberando aos poucos, geração por geração, temporada por temporada. Outra parte depende de coisas que não estão inteiramente sob o nosso controle: os regionais, que pedem viagem ou uma troca com alguém do outro lado do mundo; os míticos, que aparecem em pesquisas especiais e eventos.

Podíamos ter escolhido um número mais gentil. Mas o número mais gentil não serve para acompanhar nada — a cada geração nova que a Niantic solta, o denominador mudaria embaixo dos nossos pés e o progresso viraria uma ilusão de ótica. Com a Pokédex Nacional o alvo fica parado. Quando um Pokémon novo chega ao GO e a gente captura, a barra sobe de verdade.

A parte que eu achei bonita: registrar só o que falta

A primeira ideia foi a óbvia — uma lista com tudo que a gente tem. Aí eu fiz a conta: seriam centenas e centenas de números para digitar, e uma lista que precisaria crescer a cada captura.

Invertemos. A gente anota só o que falta.

O site assume que todo o resto está capturado e calcula sozinho o total, a porcentagem e a barra de cada geração. Capturou o Dragonite? Apaga o 149 da lista. É isso. Um número a menos, e o progresso sobe no próximo deploy.

É pouca coisa como decisão técnica e muita coisa como hábito: a lista encolhe em vez de crescer. Ela é, literalmente, uma lista de caça — e o dia em que ela ficar vazia, acabou.

Como ficou

Cada um tem a sua página. Quem já foi registrado aparece em cor cheia; quem falta continua ali, visível, só que com a cor lavada e um “?” no canto da ficha.

Essa escolha foi deliberada. O jogo esconde atrás de uma silhueta preta o que você nunca viu — é bonito, e tem a graça do “quem é esse Pokémon?”. Só que a nossa página não existe para criar suspense: existe para a gente bater o olho e saber o que ainda precisa caçar. Um vulto preto não diz nada; um Dragonite desbotado diz tudo.

Dá para filtrar por geração, por tipo, buscar por nome ou número — e tem o botão que a gente mais usa, o “só o que falta”, que esconde os 1025 e deixa na tela apenas o trabalho pendente.

Essa última página é a que mais me diverte. Ela mostra quantos Pokémon nós dois temos juntos, quantos faltam para os dois, e quantos só um de nós tem. Não é ranking — é inventário de dupla. Depois de dez anos jogando lado a lado, é curioso ver onde os caminhos se separaram.

Sobre o ritmo

Vale repetir uma coisa que já escrevi por aqui: a gente joga no ritmo da vida real. Não vamos fechar essa Pokédex neste ano, nem no próximo. Tem gente que fecha em muito menos tempo, jogando de um jeito diferente do nosso, e está tudo certo — cada um joga do jeito que cabe na vida.

O que essa página faz não é nos apressar. É dar contorno a uma coisa que estava difusa. Agora, quando o Fasolinho me chamar para uma raid, a gente vai saber exatamente o que aquilo significa na conta grande.

E, sinceramente, ver a lista de caça encolher um número por vez tem um charme que eu não esperava.

A propósito: as duas listas já estão preenchidas, e os números nas páginas são reais. O dado que mais me pegou foi este — de tudo que ainda me falta, existe exatamente um Pokémon que o Fasolinho tem e eu não. Um, em 1025. Dez anos jogando lado a lado dão nisso.